quarta-feira, 11 de março de 2009

Pensamento do dia em 1867.

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado."

Karl Marx, in Das Kapital, 1867

terça-feira, 10 de março de 2009

Nota da CPT

A Comissão Pastoral da Terra, órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou uma nota contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
"Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!", diz Dom Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges.
"Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos" (Mt 23, 24)
Nota Pública sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes
A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.
No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que "invadem" propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.
Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.
Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.
Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, "faltam só dois anos para o fim do governo Lula"... e não se pode esperar, "pois estamos falando de mortes" nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?
Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.
Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.
O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o "progresso", embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.
O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: "Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo" (Mt 23, 23-24).
Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009.
Dom Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges
Presidente da Comissão Pastoral da Terra

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Fundamental atividade do Fórum Social Mundial 2009

SEMINÁRIO "AUDITORIA DA DÍVIDA NA AMÉRICA LATINA E A CPI DA DÍVIDA NO BRASIL" - FÓRUM SOCIAL MUNDIAL – 30 DE JANEIRO DE 2009


http://www.divida-auditoriacidada.org.br/config/artigo.2009-02-05.8557462917/document_view

Dia 30 de janeiro de 2009, no Fórum Social Mundial, em Belém, foi realizado o Seminário "Auditoria da Dívida na América Latina e a CPI da Dívida no Brasil", que contou com a presença de cerca de 500 pessoas. O objetivo do evento foi alcançado, divulgando-se a experiência soberana e histórica da Comissão de Auditoria Oficial da Dívida Equatoriana (CAIC), e demais iniciativas de auditoria que estão se iniciando na Bolívia, Venezuela e Paraguai. O evento visou também estimular e organizar a intervenção da sociedade civil na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Pública, criada no Congresso Nacional do Brasil em dezembro de 2008.
Participaram como palestrantes Eric Toussaint (Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo/Bélgica e membro da CAIC), Ivan Valente (Deputado Federal – PSOL/SP, proponente da CPI da Dívida), Maria Lucia Fattorelli (Auditoria Cidadã da Dívida do Brasil e membro da CAIC), Babá (Ex-Deputado Federal / Unidos para Lutar – Conlutas) e Ricardo Ulcuango (ex-deputado equatoriano e membro da CAIC). Coordenou os trabalhos Rosa Emilia Salamanca, da Rede Latindadd.
Dentre as deliberações aprovadas, destaca-se a mobilização das entidades e movimentos sociais para o acompanhamento da CPI da Dívida no Congresso Nacional, de modo a pressionar os parlamentares a efetivamente investigarem o endividamento. Também foi proposta e aprovada por aclamação moção de apoio a Maria Lucia Fattorelli, por sua atuação na Comissão de auditoria da dívida do Equador, na subcomissão de dívida comercial, repudiando as infâmias contidas em matéria publicada pelo jornal O Globo de 30 de novembro de 2008.
Durante o evento, foram lançados e distribuídos os mais recentes materiais da Auditoria Cidadã da Dívida, relacionados ao Seminário Internacional "Auditoria de la Deuda en America Latina", realizado em Brasília, nos dias 12 a 14 de novembro de 2008. Um deles é o livro do Seminário, que conta com artigos de todos os palestrantes, fotos e os desdobramentos do evento. Também foi distribuído o folheto "Auditoria da Dívida: Uma Realidade na América Latina", que mostra as iniciativas de auditorias oficiais da dívida em países da América Latina, a partir do exemplo do Equador. O folheto também mostra a urgência da auditoria da dívida em um contexto de crise financeira mundial.
Clique aqui para acessar os materiais.
A Auditoria Cidadã da Dívida também participou como palestrante de outras mesas no Fórum Social Mundial:
- Políticas Neoliberais e Crise Alimentar (Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas - Observatório de Políticas Públicas e Lutas Sociais)
- Mesa de Diálogo: Auditoria de la Deuda: la experiencia ecuatoriana en perspectiva, organizado por REMTE, com a participação de Maria Elza Viteri (Ministra de Finanças do Equador), Alberto Acosta (ex-presidente da Assembléia Constituinte do Equador), Magdalena Leon (REMTE), Aurora Donoso (Acción Ecologica - Equador), Eric Toussaint (CADTM) e Maria Lucia Fattorelli
- O Neoliberalismo no Brasil e as Privatizações - O movimento pela Nulidade da privatização da Cia Vale do Rio Doce, organizado pelo Instituto Reage Brasil, coordenado pela Dra. Clair da Flora Martins (ex-deputada federal).
- Crise Global e Recuo do pensamento Hegemônico: Novos Desafios para os Movimentos Sociais e as ONG's (Grupo Pedras Negras - Ibase, Fase, Pólis, Ação Educativa, CECIP, INESC, SOS Corpo, Centro Luís Freire e Geledes)

Seguem abaixo fotos do evento "Auditoria da Dívida na América Latina e a CPI da Dívida no Brasil", que teve como entidades convocantes: Auditoria Cidadã da Dívida – Rede Jubileu Sul Brasil / Latindadd / Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo / Fundação Lauro Campos / Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Pará - SINTEP/PA / Sindicato dos Trabalhadores Públicos em Previdência, Saúde, Trabalho e Assistência Social do Estado do Pará – SINTPREVS-PA / Centro Memorial Cabano / Sindicato dos Quimicos de São José dos Campos e Região - São Paulo / Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação de São José dos Campos e Região - São Paulo / Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal Fluminense (SINTUFF) Rio de Janeiro / Unidos Pra Lutar (Conlutas) / Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do Estado do Pará (SINTSEP/PA) / Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (SINTRAM-PA) / DCE da Universidade da Amazonia (DCE UNAMA).

Fotos do Fórum Social Mundial